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sábado, 13 de agosto de 2011

Meu pai, meu amigo, minha força!

       
 
          Quando eu estava procurando uma canção para homenagear os pais este ano, me deparei com esta canção de Eric Clapton.
         Confesso que não a conhecia. Confesso que acho que a tradução diminuiu a força da letra.
        Mas algo me chamou a atenção e tocou em minhas mais ternas lembranças: os olhos do meu avô Cristovão e os olhos de meu pai, Auli.
         
         Quando eu cheguei, o Mal de Parkinson já estava agindo em meu avô há muito tempo. Para andar, ele precisava se apoiar em sua esposa, minha vó Chiquinha, e em minha tia Niel. Nós quase não ouvíamos a sua voz, só quando ele chamava por sua Chiquinha.
         Lembro-me que, quando chegávamos em sua casa, meu pai fazia com que encostássemos nossos ouvidos em sua boca para podermos ouvir o que vovô nos dizia. Confesso que na maior parte das vezes eu não conseguia entender o que vovô estava dizendo. eu apenas balançava a cabeça como se estivesse entendendo tudo.  "Perai, gentem!" Eu tinha só 7 anos!!!!!!

         Mas o olhar do vovô!!!!!!!!!!!! Ah! Aquele olhar!!!!!!!!!!
         Aquele olhar dizia tudo o que precisávamos saber. Eram os olhos mais azuis que eu já tinha visto. E como eles se iluminavam ao ver seus netos. E ele tinha muitos, mas todos éramos especiais.
         E o sorriso, então? O olhar iluminado vinha sempre acompanhado de um maravilhoso sorriso! Foi meu avô quem me ensinou que, quando um coração fala a outro coração, as palavras são absolutamente dispensaveis!

         O Mal de Parkinson, principalmente no estagio em que meu avô estava, incapacita quase que totalmente a pessoa. O que me fazia admirar mais ainda o meu avô.
         Na época eu não conseguia dimensionar os pequenos gestos de meu vô Cristovão. Mas hoje posso ver nele um grande exemplo de superação.
         Uma noite, após fazer o culto doméstico, minha avó e minha tia resolveram descascar laranjas para os netos. Devíamos ser apenas 10 netos aquela noite, mas meu avô quis ajudar descascando laranjas também. Vovô não tinha forças nem para pegar as laranjas no cesto, minha tia colocou a faca e a laranja em suas mãos e ele tirava pequenas lasquinhas da casca. E, por causa da pouca força e do movimento que ele fazia, como se estivesse "empurrando" a laranja, a casca saia fininha e redondinha, e a casca interna, aquela parte branca, ficava intacta. Até hoje gosto de comer esta parte branca.
         Enquanto a vovó e a tia descascavam 3 ou 4 laranjas, vovô descascava apenas uma. Mas o sorriso nunca saiu de seus labios e o esforço não o impediu de descascar 3 ou 4 laranjas.

         Meu avô me deu grandes presentes, nenhum deles material. Mas todos eles muito valorosos.
         O primeiro foi me ensinar que quando um coração fala a outro coração, palavras são absolutamente dispensaveis.
         O segundo foi me ensinar que não há nada impossível de ser feito, que não existem barreiras que não possam ser transpostas, que não existem dificuldades que não possam ser vencidas.
           O terceiro e maior presente foi: o meu PAI.


         Meu pai, meu amigo, minha força!

         Meu pai pode até não ter consciencia deste fato, mas ele tem o olhar de seu pai. Um olhar que fala muito.
         Um dia me disseram que meu pai não sabe viver sem problemas, que é quando está cheio de problemas que ele está feliz. O que esta pessoa não soube entender, ou pelo menos não soube expressar, é que meu pai é movido a desafios, e não a problemas. Ele é do tipo que de um limão faz uma limonada, uma torta de limão e ainda tempera o leitão do jantar. E convida quem quiser aparecer para compartilhar deste banquete.
         Um dia me disseram que meu não é de muita conversa, não. Esta pessoa estava surpresa ao me ver conversando horas a fio com ele e me disse, admirada, que nunca vira ele se abrir assim com alguém. É que esta pessoa ainda não conhecia este segredo: quando um coração fala a outro coração, palavras são absolutamente dispensaveis, mas quando elas aparecem, é impossível segurá-las. Elas saem sem a menor cerimonia.
         Meu pai, assim como seu pai, ambos com passagens muito, mas muito dificeis mesmo em suas vidas, descobriram a fonte da eterna juventude, do olhar brilhante e infantil, em um rosto já não tão jovem, do olhar que diz tudo, que é um porto seguro, que é uma fonte de vida e de ensinamentos.
         Um olhar que, por si só, responde a todos os nosso medos e questionamentos, e acalma tempestades.
   
         Um olhar que diz: "Ei, eu estou aqui e sempre estarei aqui, com você!"


         Paizão muito, mas muito amado, que Deus te dê forças para atravessar este vale e te faça enxergar a paz e a vitoria que Ele já preparou para o senhor! Acredite-me, nós vencermos tudo isso!


         Aos meus avos Cristovão e Amaro, que já estão ao lado de Deus, me aguardem. Um dia vou abraçá-los e esquecer toda esta saudade que sinto hoje.

         Ao meu irmão, Auli Junior, que sempre foi e é um paizão, muitas felicidades neste dia! Que Deus te abençoe!

         Ao meu irmão Eric, que também é um paizão, muitas felicidades neste dia e acredite-me, maninho, nós vamos vencer!!!!!!!!!!  Que Deus te abençoe e restaure as tuas forças, minuto a minuto!

         Aos meus cunhados Alessander, Ermino e Miguel, muitas felicidades e que Deus os abençoe!


         
         A todos os papais deste Brasilzão, que Deus os abençoe e tenham um Feliz Dia dos Pais!

        E lembrem-se: não são as tuas palavras que irão fazer diferença na vida de seus filhos, são os teus atos e principalmente, os teus olhares.
        Então olhem muito para os teus filhos e pelos teus filhos!


         Pai, mais uma vez muito obrigada por tudo o que o senhor é para mim e pelo que tem feito por mim, mesmo quando discorda das minhas ideias. A isto se chama amor e o senhor sabe amar!
                                           Te amo,
                                     
                                       Gisele Fiaux





                    My Father's Eyes

                                 Eric Clapton

                   Sailing down behind the sun,
                   Waiting for my prince to come.
                   Praying for the healing rain
                   To restore my soul again.

                   Just a toerag on the run.
                   How did I get here?
                   What have I done?
                   When will all my hopes arise?
                   How will I know him?
                   When I look in my father's eyes.
                   My father's eyes.
                   When I look in my father's eyes.
                   My father's eyes.

                   Then the light begins to shine
                   And I hear those ancient lullabies.
                   And as I watch this seedling grow,
                   Feel my heart start to overflow.

                   Where do I find the words to say?
                   How do I teach him?
                   What do we play?
                   Bit by bit, I've realized
                   That's when I need them,
                   That's when I need my father's eyes.
                   My father's eyes.
                   That's when I need my father's eyes.
                   My father's eyes.

                   Then the jagged edge appears
                   Through the distant clouds of tears.
                    I'm like a bridge that was washed away;
                    My foundations were made of clay.

                    As my soul slides down to die.
                    How could I lose him?
                    What did I try?
                    Bit by bit, I've realized
                    That he was here with me;
                    I looked into my father's eyes.
                    My father's eyes.
                    I looked into my father's eyes.
                    My father's eyes.

                    My father's eyes.
                    My father's eyes.
                    I looked into my father's eyes.
                    My father's eyes.



                                         
                     Tradução:

                    Os olhos do meu pai

                   Velejando baixo atras do sol
                   Esperando meu principe vir
                   Rezando pra chuva de cura
                   Pra restaurar outra vez minha alma


                   Apenas um toerag funcionando
                   Como que eu comecei aqui?
                   O que eu fiz?
                   Quando todas minhas esperancas aumentarão?
                   Como eu conhecerei ele?
                   Quando eu olhar nos olhos do meu pai
                   Os olhos do meu pai
                   Quando eu olhar nos olhos do meu pai
                   Os olhos do meu pai


                    Então a luz começa a brilhar
                    E eu ouço aquelas cancoes antigas.
                    E como eu presto atenção nesta semente crescer,
                    Sinto meu coração começar a transbordar.


                    Onde eu encontro as palavras pra falar?
                    Como eu o ensino?
                    O que nós jogamos?
                    Aos poucos, eu descobri
                    Isso é quando eu preciso deles,
                    Isso é quando eu preciso dos olhos do meu pai
                    Os olhos do meu pai
                    Isso é quando eu preciso dos olhos do meu pai
                    Os olhos do meu pai


                    Então a recortada borda aparece
                    Através das nuvens distantes de lagrimas.
                    Eu sou como uma ponte que esta sendo afastada;
                    Minhas fundações foram feitas de argila.


                    Minha alma desliza abaixo para morrer.
                    Como poderia eu o perder?
                    O que eu tentei?
                    Aos poucos, eu descobri
                    Que ele era aqui comigo
                    Eu olhei nos olhos do meu pai
                    Os olhos do meu pai
                    Eu olhei nos olhos do meu pai
                    Os olhos do meu pai


                   Os olhos do meu pai
                   Os olhos do meu pai
                   Eu olhei nos olhos do meu pai
                   Os olhos do meu pai

                  Quando eu olhar nos olhos do meu pai
                  Os olhos do meu pai
                  Quando eu olhar nos olhos do meu pai
                  Os olhos do meu pai


                  Então a luz começa a brilhar
                  E eu ouço aquelas cancoes antigas.
                  E como eu presto atenção nesta semente crescer,
                  Sinto meu coração começar a transbordar.


                 Onde eu encontro as palavras pra falar?
                 Como eu o ensino?
                 O que nós jogamos?
                 Aos poucos, eu descobri
                 Isso é quando eu preciso deles,
                 Isso é quando eu preciso dos olhos do meu pai
                 Os olhos do meu pai
                 Isso é quando eu preciso dos olhos do meu pai
                 Os olhos do meu pai


                 Então a recortada borda aparece
                 Através das nuvens distantes de lagrimas.
                 Eu sou como uma ponte que esta sendo afastada;
                 Minhas fundações foram feitas de argila.


                 Minha alma desliza abaixo para morrer.
                 Como poderia eu o perder?
                 O que eu tentei?
                 Aos poucos, eu descobri
                 Que ele era aqui comigo
                  Eu olhei nos olhos do meu pai
                  Os olhos do meu pai
                  Eu olhei nos olhos do meu pai
                  Os olhos do meu pai


                 Os olhos do meu pai
                 Os olhos do meu pai
                 Eu olhei nos olhos do meu pai
                 Os olhos do meu pai

                                             (Tradução da internet)

                                         

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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Para o meu pai, sr Auli!



                Para o meu pai, sr Auli! Com todo meu amor.



                Meu pai me ensinou muitas coisas.

                Meu pai me ensinou a gostar de chuva. Na minha infância, quando chovia, meu pai pegava o sabonete e ia la, para a chuva, com os 4 filhos (a caçula era recém nascida e obviamente, não participava) e fazia tanta farra que minha mãe nem protestava. Ou será que nossos gritos de alegria eram tão altos e junto com o barulho da chuva não deixava que ouvíssemos o protesto dela? Enfim chuva forte? La estávamos nós, fazendo bagunça.
                Meu pai me ensinou a não ter medo de escuro. Na década de 60 os apagões eram frequentes no Rio de Janeiro e bastava acontecer um para o meu pai estar lá, fazendo sombras na parede, usando apenas as mãos e a luz das velas. Não tinha tv? Mas tinha teatro de sombras da melhor qualidade. Minha mãe costumava pingar a parafina na mão e fazer bolinhas de parafina. Eles gostavam muito de entreter os filhos. Quando as mãos ficavam sensíveis por causa do calor, ela pingava a parafina dentro de um copo de água e depois dividia as bolinhas entre nós, que fazíamos figuras na mesa, com as bolinhas. Mas, com a licença da mamãe, hoje vou continuar falando do meu pai.
                Meu pai me ensinou a gostar de ler. É difícil falar so do meu pai, já que minha mãe gostava muito de ler também e os dois estavam sempre juntos em tudo que faziam com os filhos. Meu pai passava horas de seu tempo livre lendo para nós. E ele interpretava o que estava lendo, mudando a voz de acordo com o personagem. Ele estava sempre sorrindo. Alias, na minha infância, não me lembro de ver meus pais chorando e nem brigando.
                Meus pais me ensinaram a ler a Bíblia e a orar. Lembro-me do meu pai ouvindo as minhas orações antes de dormir e me ajudando a decorar versículos ou poemas para recitar na igreja.
                Meu pai me ensinou a plantar. Uma vez fomos ao sitio de um parente e na volta para casa trouxemos muitas mangas. Meu tio ensinou a meu pai a fazer muda de mangueira e como tínhamos um quintal em casa (mesmo sendo apartamento, o nosso era no térreo e tinha um pequeno quintal) e a imagem do meu pai fazendo a muda ficou gravada na minha mente. Eu tinha apenas 7 anos, mas já fiz mais de 100 mudas de plantas, por causa dele.
                Meu pai me ensinou a não ter medo de tempestades ou ventos forte. Alias eu amo ventanias. Uma vez, saímos para convidar uma família amiga para viajar conosco e era uma noite muito fria e escura. No bairro que morávamos e no que fomos visitar costuma ventar mais forte do que em outros lugares. Lembro-me que, na volta, minha garganta começou a doer e eu já estava cansada demais, meu pai me agasalhou com seu casaco e me colocou no colo enquanto caminhávamos para casa. E era tão reconfortante, que nem a escuridão da noite ou o uivo do vento nas árvores foram capazes de tirar a paz e o conforto que eu estava sentindo nos braços do meu pai.
                A vida levou meu pai para longe de mim, por uns breves anos. Mas nada nem ninguém podem apagar ou roubar as lembranças que eu guardo como um tesouro. Meu pai me ensinou muitas coisas mais, como ser trabalhadora, por exemplo. Até hoje ele trabalha e muito, acordando sempre muito cedo.
                Pai, tenho um orgulho imenso e uma alegria maior ainda de ser tua filha. Os pais ensinam muito mais pelo exemplo do que falando e os exemplos bons que o senhor nos deu sempre falaram mais alto do que qualquer outra coisa que tenha acontecido.
                Te amo muito e peço a Deus que te abençoe e te guarde.
                FELIZ DIA DOS PAIS!



                A todos os pais que estiverem lendo esta postagem: Feliz dia dos pais!



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